quinta-feira, abril 01, 2010



Se viver é sonhar, se sonhar é imaginar, então imaginar é sentir! Sentir os nossos próprios sonhos, como que se ao acreditarmos neles se pudessem tornar realidade, realidade essa que uma vida inteira podemos desejar ao acreditar que tudo é possível. Mas sim, tudo é possível, sempre, pois são os nossos sonhos que nos permitem alcançar o inalcansável, não tendo necessariamente de ultrapassar a fronteira do abstracto. Pois já Pessoa dizia que "para viver bem é preciso manter sempre vivo o sonho, sem nunca realizá-lo, dado que a realização será sempre inferior ao sonhado". Mas se vivermos eternamente sonhando, se vivermos cada sonho como que a nossa própria realidade, e sem nunca nos abstraindo da verdade, então podemos dizer que vivemos conforme a nossa imaginação, conforme a força do nosso pensamento e sempre com a esperança de que mesmo que não sejam o que esperávamos, os nossos sonhos, esses, se podem tornar possíveis se acreditarmos verdadeiramente na sua essência.
Mas felizmente nem todos os sonhos passam disso mesmo, sonhos. Pois se contrário acontecesse e tudo se torna-se possível, não existiria o impossível e sim um mundo feito de tudo e nada, um mundo desenhado sem esperança, em que nada faria sentido, nada seria credível e muito menos verdadeiro.
Pois é a esperança que a cada desvio de rota nos faz crer que tudo é possível, é o sentido da vida que nos faz seguir o nosso próprio rumo, e é a credibilidade que nos faz acreditar verdadeiramente na nossa autenticidade como pessoas.

by: Andrei@'

Neverland..

Try to imagine
a world of perfection,
a world without time,
a world without space.
Where dreaming is law
and sadness is illegal,
where love is life
and happiness is usual.
So it would be easier
live without troubles,
breathe without wars.
Want to be someone:
to live in Neverland..
by: Andrei@'

Problema do livre-arbítrio

Colocar o problema do livre-arbítrio é colocar um dos problemas centrais da Filosofia da Acção que pode ser formulado deste modo: temos ou não livre-arbítrio?
Por não concordar com a tese de que o livre-arbítrio existe, vou argumentar a favor da tese inversa - a de que não temos livre-arbítrio.
Pressupor que o livre-arbítrio existe leva-nos a pressupor que o compatibilismo ou o libertismo são verdadeiros, sendo que o primeiro defende que o homem é totalmente livre, logo, totalmente responsável, mas este ao ser livre implica a inexistência de condicionantes biológicas, culturais e históricas que são evidentes e incontestáveis ao mundo físico. Por outro lado, temos o compatibilismo que alega que apesar do homem estar sujeito à causalidade tem uma certa "margem" de liberdade, ou seja, apesar das condicionantes biológicas, culturais e históricas, o homem pode escolher entre alternativas, por isso, é moralmente responsável. Contudo, segundo o determinismo, pouco importa se as causas que nos levam a agir são razões de natureza psicológica relacionadas com o nosso carácter ou se são constrangimentos. O que importa é que dadas certas causas o ser humano não tem possibilidade de agir de modo diferente daquele que essas causas nos levaram ou determinaram a agir. A ser assim, então o sujeito está a agir sempre de um modo determinado, embora possa pensar (ilusão) de que está a agir livremente. Tal posição conduz à negação da liberdade da vontade, o que implica a negação da compatibilidade entre livre-arbítrio e determinismo.
Sendo, por isso, o compatibilismo uma Teoria pouco fundamentada, ao contrário do determinismo radical que defende que se tudo no mundo físico está sujeito ás leis da causalidade, então não temos livre-arbítrio, mas temos responsabilidade pelos nossos actos, pois se determos todas as causas que antecedem os acontecimentos, mesmo que não as possamos anular, podemos sim adaptar-nos a elas e, assim, tentar tirar partido destas; já que eliminá-las será sempre impossível. Mas, contrariamente a esta Teoria, está o indeterminismo que apesar de alegar que não temos livre-arbítrio, esta defende que tudo o que acontece no mundo físico é aleatório e, como tal, não somos responsáveis pelos nossos actos. Mas esta é pouco relevante, pois até ao momento apenas se sabe que o indeterminismo só acontece a um nível micro, não se traduzindo a um nível superior sendo esta Teoria, por isso, pouco relevante ao ser humano.
Para finalizar, extrapolarei o determinismo radical para um exemplo do dia-a-dia defendendo, assim, a minha tese: imaginemos um cão que está esfomeado e que se encontra sentado num determinado local e, à sua volta, encontra-se uma plataforma em forma de círculo a rodar em torno do seu corpo, suponhamos que esta em toda a sua extensão tem vários recipientes celados, onde não é permitido nem sentir o cheiro, nem ver a comida que estes contêm, e o cão inevitavelmente dirige-se para uma determinada direcção e ao tocar com o focinho num recipiente o mecanismo para de rodar e é permitido ao cão comer o que se encontra dentro desse determinado recipiente.
Em relação a este exemplo, os indeterministas alegariam que era indeterminado o cão escolher um ou outro recipiente, visto que não sabia o que se encontrava dentro de cada um e estes andavam a rodar não mantendo, por isso, uma posição defenida. Mas estes factos não comprovam o indeterminismo, pois o cão teve de se deslocar para uma determinada direcção e os recipientes ao rodarem, também rodavam numa determinada velocidade, ou seja, estas causas juntas levaram a que o cão fosse de encontro ao recepiente X e não ao recipiente Y.
Posto isto, é-me permitido comprovar a minha tese, em que tudo no mundo físico é determinado e, por isso, não temos livre-arbítrio, apenas responsabilidade pelos nossos actos, pois como seres racionais que somos, inevitavelmente temos de seguir a rede conceptual da acção para agirmos de uma determinada maneira, mesmo que as nossas acções já estejam determinadas previamente por causas anteriores.

by: Andrei@'
in: Filosofia

terça-feira, março 30, 2010

Filosofia da acção - "Ética a Nicómaco" de Aristóteles

"Nem se quer a noção de voluntário é tão clara como parece. Na sua Ética a Nicómaco, Aristóteles imagina o caso de um capitão de navio que deve levar um determinado carregamento de um porto para outro. No meio da travecia levanta-se uma grande tempestade.
O capitão chega á conclusão que não pode salvar o barco e a vida dos seus tripulantes se não lançar a carga pela borda para equilibrar a embarcação. De modo que a lança à água. Pois bem, atirou-a porque quiz? Evidentemente que sim, porque teria podido não se livrar dela e arriscar-se a morrer. Mas é claro que o que ele queria mesmo era levar a carga ao seu destino final. De outro modo teria ficado em casa sem zarpar. Sendo assim, atirou-a fora querendo... Mas sem querer.
Não podemos dizer que a deitou fora involuntariamente, mas também não se pode dizer que deitá-la fora fosse a sua vontade. Às vezes poderíamos dizer que agimos voluntariamente... Contra a nossa vontade."

SAVATER, Fernando: As Perguntas da Vida,
Publicações D.Quixote
No caso de um capitão de navio em "Ética a Nicómaco" de Aristóteles, este mostra-nos o comportamento do capitão perante a tempestade que se levantou, sendo que este teve de optar entre não lançar o carregamento ao mar e arriscar-se a morrer bem como como os seus tripulantes entre lançar e assim salvaguardar as suas vidas.
O capitão, diante de tal situação, lançou a carga ao mar ressalvando assim a vida de todos os tripulantes a bordo do navio, apesar de essa não ser a sua vontade inicial (ter de lançar o carregamento à água), pois o seu objectivo era levar esse ao outro porto que estava destinado inicialmente. Mas devido à situação que se sucedeu, o capitão teve de agir lançando o carregamento ao mar, ou seja, o seu comportamento é um agir e não fazer. O termo "fazer" tem um sentido mais amplo do que o "agir", pois aplica-se tanto aos animais irracionais, como aos animais racionais, ou seja, a nós seres humanos, e o termo "agir" apenas se aplica aos seres racionais. O "fazer" implica apenas executarmos um determinado efeito num objecto, sem que para isso tenhamos de estar conscientes, de ter intenção ou possibilidade de escolha, por exemplo: os movimentos que fazemos quando estamos a dormir, não os fazemos intencionalmente; outro exemplo: as formigas ao fazerem os seus formigueiros, também não estão conscientes do que estão a fazer, apenas o fazem instintivamente. Enquanto que o "agir" designa apenas algumas das nossas actividades, aquelas que são conscientes, intencionais e voluntárias, tendo de ser previamente deliberadas, para que se possam tomar decisões com o fim de executarmos o que projectámos através do que foi dito anteriormente.
Como tal, o comportamento do capitão é um "agir", pois este segue a rede conceptual da acção, ou seja, existe um agente que é o capitão, sendo este responsável pela acção e pelas consequências positivas ou negativas; existe uma causa que é a tempestade, bem como uma intenção que é salvaguardar as vidas dos tripulantes, ou seja, o que pretende atingir ao realizar essa acção. Segue-se então a deliberação, em que o tripulante concebe várias hipóteses, deliberando sobre cada uma delas, analisando os prós e os contras, essas hipóteses são: ou o capitão lança ao mar o carregamento e assim salva as vidas das pessoas que estão no navio, ou então não lança ao mar a carga e arrisca-se a morrer juntamente com os seus companheiros de bordo.
Com base nos motivos que o capitão tem e após a deliberação do mais acertado a ser feito, escolhe uma das opções que tem e opta por lançar o carregamento ao mar tomando, por isso, uma decisão, que é o momento em que se opta por um dos cursos possíveis da acção. Após a decisão o capitão executa o que já previamente concebeu e deliberou, pondo em prática a sua decisão lançando o carregamento ao mar com o fim de equilibrar o barco para que hajam mais possibilidades dos tripulantes ficarem a salvo.
Para finalizar, apesar da vontade do capitão ser a de transportar o carregamento de um porto para o outro, este teve de abdicar dessa devido aos acontecimentos que se sucederam, ou seja, ao ocorrer uma tempestade, o capitão teve de agir de modo a que conseguisse salvar a vida dos tripulantes sendo, por isso, necessário optar pelo que seria o mais acertado a fazer, que era abdicar da sua vontade inicial, para assim poder executar a intenção que devido à tempestade foi a de salvaguardar a vida das pessoas a bordo do navio.
Com isto, podemos dizer que a acção do capitão foi um acto voluntário, pois este teve intenção de lançar o carregamento ao mar, mesmo não sendo essa a sua vontade inicial. Sendo-me assim possível reformular a última frase do texto com base no que aqui já foi dito: "Às vezes poderíamos dizer que agimos voluntariamente... contra a nossa vontade" inicial.
by: Andrei@'
in: Filosofia

terça-feira, novembro 13, 2007

Penso...

Estou só,
olho o passado,
entrego-me a este momento,
a um olhar para trás,
como se podesse,
conseguisse,
num momento,
um piscar de olhos,
mudar uma vida,
mudar algo do que sou,
do que fiz,
do que não fiz,
ou podesse ter feito.
O que deixei passar ao lado,
penso se modaria algo,
ou nada,
ou tudo.
Recordo todos os "ses" que poderia ter evitado,
mudado o rumo do mundo,
da vida.
Observo tudo o que me rodeia,
nunca teria aqui chegado,
se não seguisse,
o que estava trassado.
Não seria eu,
mas outra qualquer,
talvez nem escrevesse,
não partilhasse estes meus momentos,
com quem não conheço,
olho e só posso sorrir,
para o bem e para o mal,
sou tudo o que me resta,
estou a gostar de me redescobrir...