Por não concordar com a tese de que o livre-arbítrio existe, vou argumentar a favor da tese inversa - a de que não temos livre-arbítrio.
Pressupor que o livre-arbítrio existe leva-nos a pressupor que o compatibilismo ou o libertismo são verdadeiros, sendo que o primeiro defende que o homem é totalmente livre, logo, totalmente responsável, mas este ao ser livre implica a inexistência de condicionantes biológicas, culturais e históricas que são evidentes e incontestáveis ao mundo físico. Por outro lado, temos o compatibilismo que alega que apesar do homem estar sujeito à causalidade tem uma certa "margem" de liberdade, ou seja, apesar das condicionantes biológicas, culturais e históricas, o homem pode escolher entre alternativas, por isso, é moralmente responsável. Contudo, segundo o determinismo, pouco importa se as causas que nos levam a agir são razões de natureza psicológica relacionadas com o nosso carácter ou se são constrangimentos. O que importa é que dadas certas causas o ser humano não tem possibilidade de agir de modo diferente daquele que essas causas nos levaram ou determinaram a agir. A ser assim, então o sujeito está a agir sempre de um modo determinado, embora possa pensar (ilusão) de que está a agir livremente. Tal posição conduz à negação da liberdade da vontade, o que implica a negação da compatibilidade entre livre-arbítrio e determinismo.
Sendo, por isso, o compatibilismo uma Teoria pouco fundamentada, ao contrário do determinismo radical que defende que se tudo no mundo físico está sujeito ás leis da causalidade, então não temos livre-arbítrio, mas temos responsabilidade pelos nossos actos, pois se determos todas as causas que antecedem os acontecimentos, mesmo que não as possamos anular, podemos sim adaptar-nos a elas e, assim, tentar tirar partido destas; já que eliminá-las será sempre impossível. Mas, contrariamente a esta Teoria, está o indeterminismo que apesar de alegar que não temos livre-arbítrio, esta defende que tudo o que acontece no mundo físico é aleatório e, como tal, não somos responsáveis pelos nossos actos. Mas esta é pouco relevante, pois até ao momento apenas se sabe que o indeterminismo só acontece a um nível micro, não se traduzindo a um nível superior sendo esta Teoria, por isso, pouco relevante ao ser humano.
Para finalizar, extrapolarei o determinismo radical para um exemplo do dia-a-dia defendendo, assim, a minha tese: imaginemos um cão que está esfomeado e que se encontra sentado num determinado local e, à sua volta, encontra-se uma plataforma em forma de círculo a rodar em torno do seu corpo, suponhamos que esta em toda a sua extensão tem vários recipientes celados, onde não é permitido nem sentir o cheiro, nem ver a comida que estes contêm, e o cão inevitavelmente dirige-se para uma determinada direcção e ao tocar com o focinho num recipiente o mecanismo para de rodar e é permitido ao cão comer o que se encontra dentro desse determinado recipiente.
Em relação a este exemplo, os indeterministas alegariam que era indeterminado o cão escolher um ou outro recipiente, visto que não sabia o que se encontrava dentro de cada um e estes andavam a rodar não mantendo, por isso, uma posição defenida. Mas estes factos não comprovam o indeterminismo, pois o cão teve de se deslocar para uma determinada direcção e os recipientes ao rodarem, também rodavam numa determinada velocidade, ou seja, estas causas juntas levaram a que o cão fosse de encontro ao recepiente X e não ao recipiente Y.
Posto isto, é-me permitido comprovar a minha tese, em que tudo no mundo físico é determinado e, por isso, não temos livre-arbítrio, apenas responsabilidade pelos nossos actos, pois como seres racionais que somos, inevitavelmente temos de seguir a rede conceptual da acção para agirmos de uma determinada maneira, mesmo que as nossas acções já estejam determinadas previamente por causas anteriores.
by: Andrei@'
in: Filosofia
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